O Diabo Veste Prada
mas não como todas as que vieram antes de nós
Por Olívia Paixão | 13 de maio de 2026
Estive os últimos dez dias em Minas, acompanhando uma questão de família.
Nesse tempo, vi minha mãe afobada com a jardineira que está tecendo para as minhas sobrinhas. A correria é que o ponto de crochê demora e neném cresce rápido. Precisa ficar pronto a tempo de elas usarem, rs.
Também aproveitei para fazer uns coqueirinhos nos cabelinhos novos que andam crescendo. Fiquei meio boba do tanto que elas se parecem comigo e com a minha irmã quando estão com o penteado. Abro os álbuns de família e lá estamos nós, desfilando as mesmas cascatinhas de fios.
Depois, ajudei minha irmã a reorganizar o armário e pensar nas roupas que ela tem usado nos eventos do escritório agora que virou sócia. Autoridade, né? rs
São recortes corriqueiros da minha vida. E, de outra forma, também da sua.
São também a matéria-prima da nossa herança. Que é um bocado do que influencia o nosso vestir.

Eu e minha irmã no whatsapp
Minha mãe, minhas irmãs, eu, minhas sobrinhas. Minhas filhas e filhos quando eu tiver. Minhas clientes, as profissionais de quem sou cliente. As mães das minhas amigas e até a Meryl Streep, que nem faz ideia de que eu existo.
Nosso estilo é tudo isso: referências que nos cercam desde muito antes dos coqueirinhos no cabelo.
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Muito se fala da linguagem visual e das tendências que O Diabo Veste Prada apresenta.
E como eu queria (quase) todo aquele figurino pra mim, rs.
No entanto, faço questão de ressaltar a noção de legado que me pegou forte.
No trabalho, quem abriu caminho antes de nós. Os caminhos que estamos abrindo nós mesmas. E a forma como vamos compondo essa grande colcha de referências porque somos mulheres.
Na ocasião, conversei com mães e filhas sobre seus retalhos nessa manta. E, enquanto fazia isso, desejei também estar ao lado da minha mãe e avós.
É muito poderoso perceber que somos parte, continuidade e, inclusive, ruptura.
As roupas mudam, nossos contextos também. Mas muito do que veio antes também permanece. Afinal, nossa ancestralidade é a matéria primal de que somos feitas.
Estilo é exatamente isso:
Uma herança em constante movimento.
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O encontro que inspirou esta reflexão aconteceu durante a exibição de O Diabo Veste Prada no Liberty Mall. Você pode conferir um pouco da conversa e dos bastidores da ação no Instagram do shopping (é só clicar aqui)
Olívia Paixão é consultora de moda com foco em autoria de imagem. A partir da moda e do estilo pessoal, investiga temas como identidade, cultura, memória e expressão.